Dicas

No início da década de 70 um grupo de agricultores brasileiros começou a usar uma técnica intrigante: aplicar rochas moídas em suas lavouras. Apesar de o procedimento já ser conhecido desde o século 19 na Alemanha, o manejo despertava estranheza e curiosidade por aqui. Com o tempo, os resultados vieram e com eles o interesse público. Com esse incentivo, baseado em muito estudo científico, o pó de rocha foi regulamentado pelo ministério da agricultura em 2013 e passou a ser chamado oficialmente de remineralizador de solo.

Quando esses produtores adicionavam a rocha moída no solo, estavam devolvendo a ele as suas características iniciais, ou seja, os atributos que possuía antes de sofrer com a ação do tempo. Pode-se dizer que estavam rejuvenescendo suas terras.

O solo envelhece?!

Ao longo do tempo o solo sofre o que chamamos de intemperismo, um processo de decomposição e desagregação de rochas. Com essa evolução, solos antes férteis, ricos em minerais passam a ser constituídos de óxidos e hidróxidos, criando um ambiente pouco favorável para a agricultura. Passam a ser um solo desgastado.

A fórmula da juventude

A rocha moída in natura é rica em minerais primários e quando adicionada ao solo age positivamente na capacidade de troca de cátions, contribuindo também com o aumento da atividade microbiológica no solo, redução de níveis de elementos tóxicos e melhorando a capacidade de retenção de água no solo, características de um solo jovem.

O pó de rocha é multielementar, contendo importantes nutrientes essenciais para as plantas, como fósforo, potássio, cálcio, magnésio, zinco e cobre. Também possui diversos elementos benéficos não essenciais para as plantas, como silício, níquel, selênio, cobalto e molibdênio. Tudo isso é fornecido de forma diferente dos insumos convencionais, sendo liberados de forma gradativa e, no caso do cálcio e magnésio, na forma de óxidos, que são formas mais puras e reativas que os carbonatos.

Para fechar a conta, há também a questão ambiental. O remineralizador de solo é 100% natural, e totalmente sustentável. Além de não prejudicar o meio ambiente ainda contribui para a redução do impacto causado por outros insumos, pois auxilia reduzindo os processos de lixiviação e volatilização desses produtos, isso porque possui minerais com elevada superfície específica.

Pó de rocha no Brasil

Entendendo o solo como maior patrimônio usado na produção agrícola, os agricultores brasileiros estão investindo cada vez mais nesse ativo. Um solo vivo e fértil é sinônimo de menor custo e maiores produtividades, pois, além de barato e cheio de benefícios, ainda aumenta a eficiência dos manejos já adotados. Nesse contexto os condicionadores de solo, e em especial os remineralizadores estão se tornando a base da agricultura moderna, uma agricultura mais eficiente e conectada com o meio ambiente.

A remineralização de solo ou rochagem já é uma realidade nas lavouras brasileiras. Prova disso é que, segundo dados da EMBRAPA, no ano de 2019 foram produzidas mais de 600 mil toneladas de remineralizadores e condicionadores de solo.

Os resultados obtidos no campo e nas pesquisas científicas têm estimulado cada vez mais a disseminação da técnica que caminha para se tornar um dos pilares fundamentais para altas produtividades de forma sustentável.

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Dicas

Um dos maiores desafios para o desenvolvimento brasileiro é manter o crescimento da produção agropecuária preservando seus recursos naturais. Esse dilema surge em meio aos debates internacionais e às pressões cada vez maiores da sociedade por um novo modelo produtivo mais saudável. Bem recentemente as políticas governamentais para o setor agropecuário começaram a prestar mais atenção nas questões relativas à sustentabilidade ambiental e a estabelecer programas e metas com esse objetivo.

O manejo na agricultura brasileira caracteriza-se, especialmente, pelo uso de fontes de fertilizantes solúveis que agem rapidamente no aporte nutricional da planta, porém, em sua maioria, são importados, não renováveis, caros e causam diversos efeitos colaterais. Historicamente, por questões culturais e pela abundância de recursos naturais, não nos preocupamos com questões ambientais, somos exploradores.

O uso indiscriminado de fontes químicas de adubação ao longo de muitos anos de exploração agrícola no Brasil afetou um recurso importantíssimo do nosso patrimônio: o solo, que hoje é de baixa fertilidade, ácido, salinizado e profundo. Algumas regiões do país chegaram a flertar com o processo de desertificação, como é o caso do oeste paulista e suas pastagens, segundo um estudo da Universidade Federal de Goiás. A boa notícia é que o solo está entre os recursos que podem se renovar.

Sustentabilidade

É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro

O produtor rural é sempre pressionado a produzir mais. Muitas vezes a pressão vem dos fornecedores de insumos que prometem alta performance produtiva desfocando a conversa dos custos. Os custos são vários e nem sempre diretos, é difícil perceber o que se “paga” para produzir mais. Porém, a conta sempre vem. As mudanças climáticas e a baixa qualidade nutricional dos alimentos produzidos são exemplos de “custos” desse tipo de manejo irresponsável. A natureza cobra caro.

Há um bom tempo, ambientalistas e produtores rurais tradicionalistas travam embates acerca dos manejos ideais para nossas lavouras. Uns querem produzir de maneira saudável e preservar todos os recursos naturais, outros querem a maior produção agrícola possível a qualquer custo. Ambos são carentes de empatia e dificultam a sinergia para a resolução de um problema que é de todos.

Quem vem resolvendo essa pendenga é o produtor cansado de cada vez ter que investir mais em insumos para produzir o mesmo e, por vezes, menos. Esse produtor de tanto tentar, por fim acaba descobrindo novas técnicas que estão levando, naturalmente, a agricultura na direção de práticas mais sustentáveis. Não por propensão ambientalista, mas porque está percebendo que pode ser mais eficiente em sua lavoura. A remineralização ou a rochagem é um exemplo de técnica que está ganhando holofotes por conta de bons resultados conseguidos no campo. São agricultores que buscaram, em um método antigo, alternativa para o uso excessivo de insumos químicos.

Remineralização

Na Alemanha em 1898, Julius Hensel publicava o livro “Pães de Pedra” que tratava do uso de pós de rocha para adubação de lavouras. Há muito tempo se sabe dos efeitos positivos da utilização de rochas no condicionamento do solo. Porém só recentemente é que esse tipo de técnica saiu do pacote de manejo que, preconceituosamente, era destinado aos “bichos grilos”. Acreditava-se que não era possível a coexistência de métodos sustentáveis e alto rendimento produtivo.

Por volta de 2017, em Goiás, nascia o grupo GAAS que unia produtores rurais cansados de obedecer aos caprichos das grandes multinacionais de insumos agrícolas. Este é um grande exemplo sinalizador de que o agricultor brasileiro está se convencendo que precisa mudar.

Dentro da missão do GAAS está a seguinte frase: Nossa motivação é tirar os agricultores da dependência dos “pacotes prontos”, caros e muitas vezes inadequados às condições tropicais de produção.

Hoje a rochagem desponta como a base de um pacote tecnológico que visa à vida no solo. Esse conceito está fundamentado na ideia que um solo vivo é o ambiente ideal para o crescimento da vida vegetal.

A “onda” sustentável demonstra que veio para ficar, pois os resultados são impressionantes.

Vários são os benefícios de aderir a esse tipo de manejo que atende ao produtor tradicionalista que quer produção acima de tudo e ao ambientalista que quer preservar, pois a remineralização permite produção de alto nível sem nenhum efeito colateral. Atende, acima de tudo, a população que não para de crescer e quer produtos melhores e mais baratos sempre. Tudo isso em um mundo que possa habitar com saúde. Nos resta torcer para que a onda realmente não passe.

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